sexta-feira, 3 de outubro de 2014

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Jovens e empreendedorismo social - Vander Casaqui palestra na Muvuca 2014

Texto: Gustavo Aguiar

Foto: Laura Quaresma
"Como eu posso ser jovem, fazer algo pela sociedade, mas não me encaixar nos mesmos padrões?", foi esse o questionamento final do Prof. Dr. Vander Casaqui na segunda palestra da Muvuca na Cumbuca 2014, sobre empreendedorismo jovem social. No segundo dia de programação, a maioria das oficinas já haviam iniciado as atividades, assim como as mesas de debate. Foi empolgante a declaração do aluno de Publicidade e Propaganda da UFPA, Danyllo Bermeguy, sobre o evento. "Acho que a Muvuca tá com temas muito amplos, já me encontrei em várias coisas aqui. Eu aguardo muitas emoções pra essa palestra porque adorei a de ontem", explica, citando a palestra do designer de produto Rodrigo Brenner. A fala do pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) encerrou a programação do segundo dia da Muvuca na Cumbuca com inspirações a novas ideias, que colocam o jovem no centro das decisões.

Foto: Miller Farias
Teve sim uma coisa em comum entre a palestra do designer Rodrigo Brenner e do prof. Vander. Os dois definiram um objetivo para a comunicação: mudar o mundo. Esse é o norte, e os caminhos apresentados são diversos. De acordo com as pesquisas e leituras realizadas no doutorado do prof. Vander, os brasileiros preferem gerenciar um próprio negócio a ter um emprego, porque esse é considerado um meio de alcançar mais prazer, autonomia e realização. Porém, o jovem carrega consigo uma vontade de fazer diferente, de ser alternativo, pois é inquieto. São características da "Geração Y", diz o prof. Vander Casaqui. A humanidade está sendo representada como uma sociedade jovem. Esse é o primeiro sinal de que "o jovem está mudando o mundo".


E dentro desse discurso encantador e inspirador de novas ideias, o palestrante e professor da ESPM lança o desafio, afirmando que o capitalismo precisa ir além do que somente objetivar o lucro e que a sociedade merece ser vista como a principal beneficiadora dos empreendedores jovens contemporâneos. A ideia é que o trabalho seja voltado para a sociedade e que, ao invés da acumulação de lucro como objetivo final, a sociedade ganhe novas ações que resolvam os infinitos problemas. E os jovens? O papel deles é importante e tem até um nome especial. Ele seria o jovem-ponte, com o objetivo de "redistribuir pensamentos e ideias, conectando redes e pessoas que nunca se falaram", define Vander. E o exemplo que o palestrante traz é o site Imagina na Copa, que incentiva as pessoas a pensar e fazer um mundo melhor, "imaginando na copa".





Para os jovens da região norte do Brasil, o professor Vander Casaqui lança um desafio ainda maior. Diante de uma ideia clichê de que o empreendedorismo social promoveria somente caridade ou ações de em uma ONG, é necessário que se tenha um novo perfil de empresas e organizações para a sociedade. E nós, do norte do país, temos que "pensar modelos diferentes e não olhar para o próprio umbigo a partir do sudeste".


Depois dessa muvuca que surgiu na cabeça dos participantes a partir das novas informações da palestra, como será que os muvuqueiros saíram do evento? Com a cabeça e coração cheio de novas ideias? O jornalista David Mendes, de 26 anos, acha que "os jovens estão se organizando de uma forma diferente, a gente tem os exemplos aqui em Belém mesmo, muitos coletivos que trabalham a comunicação com inovação e que tentam buscar alternativas para produzir. Eu acho que é esse caminho que ele mostrou pra gente, tentar se organizar de uma nova forma, pra tentar produzir sem ficar dependendo só do capital."
Foto: Miller Farias

Já o estudante de Publicidade e Propaganda da UFPA, Victor Carreira, de 22 anos, vê as novas organizações de forma diferenciada. Ele acha que nem é preciso "fazer um projeto social, mas pensar em de que forma se pode solucionar pequenos problemas sociais do dia-a-dia. Tem algumas coisas básicas e práticas que devem ser pensadas em como se fazer melhor, eu acho que se conseguirem capitalizar essa solução de pequenos problemas, essa pode ser a saída." O Victor também tem uma opinião interessante sobre a forma como a "Geração Y" está construindo e moldando a comunicação e os novos negócios. "Todo mundo quer ganhar a sua grana, mas se você puder agregar algo que seja prazeroso pra você é melhor ainda. E as pessoas estão achando mais prazeroso ajudar o próximo. É uma questão do nosso contexto de hoje em dia, e eu espero que a geração carregue isso pro resto da sua vida."


Foto: Isabella Moraes


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